CRIME DE LESA-PATRIMONIO NA FAZENDA SAO BERNARDINO - 07/04/2016

Por Claudio Prado de Mello

Coloboração com as fotos do flagrante: Marcelo Reis.

UM CRIME DOLOSO CONTRA O PATRIMÔNIO 
ATAQUE A FAZENDA SAO BERNARDINO EM 07/04/206

SOS VILA DE IGUASSU VELHA
NOTÍCIAS ALARMANTES SOBRE A DESTRUIÇAO INTENCIONAL DE PARTE DA FAZENDA SÃO BERNARDINO CHEGARAM A REDE NA QUINTA DIA 07 DE ABRIL. 
A EQUIPE DE ARQUEOLOGOS DO IPHARJ SEGUIU ENTÃO AO LOCAL NESSA SEXTA ( 08 DE ABRIL) AFIM DE FAZER UM LEVANTAMENTO DOS DANOS E APRESENTA ENTÃO SEUS RESULTADOS.
O FATO OCORREU NA MANHA DE QUINTA . FOI VISTO PELOS MORADORES DO LOCAL A ENTRADA DE UMA PÁ MECANICA E DE UM CAMINHÃO TIPO BASCULANTE COM LOGO DA CEDAE . DEVIDO AO MATO ALTO NÃO FOI POSSIVEL ACOMPANHAR TODOS OS ACONTECEMENTOS, TODAVIA MINUTOS DEPOIS AMBOS SE RETIRARM DO LOCAL DO CRIME E A VISAO ERA ABSURDA ... TODA UMA SEÇAO DA PAREDE LATERAL DA FAZENDA QUE AINDA TINHA SUAS JANELAS E UMBRAIS QUASE QUE INTACTOS, ENCIMADOS POR SANCAS ESCULPIDAS E PINTADAS FOI SUMARIAMENTE DEMOLIDO . AO QUE TUDO INDICA OS FACINORAS ESTAVAM EM BUSCA DE ENTULHO PARA COLOCAR EM UM BRURACO FEITO PELA CEDAE... OUTRAS FONTES SE MOSTRAM INCREDULAS A ESTA POSSIBILIDADE POIS TERRA E ENTULHO PODERIAM SER ENCONTRADAS EM QUALQUER LOCAL NA AREA E INCLUSIVE NA REGIAO EXISTEM RESTOS DE OUTAS CONSTRUÇOES EM PARTES MAIS FACEIS E SIMPLES DO QUE O TOPO DA ELEVAÇAO AONDE ESTA A FAZENDA.
DESSA FORMA, ACREDITAMOS QUE O ATENTADO TENHA SIDO PROPOSITAL E QUE EXISTA UMA INTENÇAO DE DESTRUIR SUMARIAMENTE A FAZENDA QUE É TOMBADA A NIVEL FEDERAL , APESAR DISSO NÃO SER LEMBRADO PELO PROPRIO GOVERNO .
OS DANOS E AS POTENCIALIDADES DE PERDAS DE FRAGMENTOS DESSE INESTIMAVEL PATRIMONIO ESQUECIDO VAO MUITO ALEM DA FAZENDA ...
VEJA NA SEQUENCIA !
1) NA PARTE RELATIVA A IGREJA NOSSA SENHORA DA PIEDADE, A IGREJA SE ENCONTRA DEMOLIDA E OS SEUS TIJOLOS E PEDRAS DE MAO DESAPARECERAM. HÁ DECADAS ESTA ERETA SOMENTE A TORRE SINEIRA., SIMBOLO SOLITARIO DA RELIGIOSIDADE DA VILA DE IGUASSU
2) NA PARTE RELATIVA A ESTRADA DO COMERCIO ... VARIAS SEÇOES DO PISO DE PE DE MOLEQUE ESTAO AFUNDANDO DEVIDO AO TRAFEGO DE MAQUINARIO E DE VEICULOS PESADOS. PARA PIORAR ALGUNS MORADORES VENDO O DESCADO COM O PATRIMONIO ESTAO CONSTRUINDO AS MARGENS DA ESTRADA, DESCARACTERIZANDO A PAISAGEM
3) NA PARTE RELATIVA A PROPRIEDADE DO SR ALLAN LUCENA, AONDE EXISTE AINDA O LOCAL DO PORTO QUE RECEBIA OS BARCOS VINDO DO RIO DE JANEIRO E QUE FAZIAM O COMERCIO DA ESTRADA DO CAMINHO DO OURO PARA MINAS GERAIS ... VARIOS PROBLEMAS ESTAO OCORRENDO:
3.1) AS MURALHAS DO PORTO, EM PEDRA, EM CONSEQUENCIA DAS CHUVAS ININTERRUPTAS DE 2011, CEDERAM. UM DOS LADOS DO PORTP DESABOU E ATE HOJE NÃO FOI ENCONTRADO SUPORTE PARA SE RECONSTRUIR AS PAREDES DE PEDRA

3.2) DEPOIS DE DECADAS A FIO RECEBENDO VISITANTES E SEM AJUDA EXTERNA ... O SR ALLAN RESOLVEU CONSTRUIR UM PEQUENO MUSEU. COM RECURSOS PROPRIOS ELE MESMO LEVANTOU UM PEQUENO ESPAÇO PARA UMA SALA DE EXPOSIÇAO PARA RECEBER CRIANÇAS E COLEGIOS. INFELIZMENTE, UMA PESSOA (QUE SABEMOS QUEM FOI) FEZ UMA SERIE DE DENUNCIAS POR ELE TER CONSTRUIDO EM UMA AREA DE PRESERVAÇAO E ELE TEVE ESSA SEMANA A VISITA DA POLICIA FEDERAL E DO MINISTERIO PUBLICO FEDERAL COBRANDO SATISFAÇOES E INFORMARAM QUE VAO DEMOLIR O PEQUENO MUSEU 
4) NA PARTE RELACIONADA AO CEMITERIO DOS NOBRES, A TORRE SINEIRA FOI CERCADA E AGORA FAZ PARTE DA PROPRIEDADE DE UM POSSIVEL POSSEIRO. 
5) AO LADO, O CEMITÉRIO DOS NOBRES, AONDE SE ENCONTRA O JAZIGO FAMILIAR DA FAMILIA DE BERNARDINO JOSÉ DE SOUZA E MELLO ESTA EM PETIÇAO DE MISERIA, COMPLETAMENTE VULNERAVEL, QUASE QUE AFUNDANDO EM FRAGMENTOS DE CERAMICA DE ALGUIDARES DE MACUMBA QUE SÃO DESPÁCHADAS EM ESCALA ASSUSTADORA. JUNTO A ELAS, CARCAÇAS DE ANIMAIS SACRIFICADOS E ANIMAIS QUE SÃO DESPEJADOS NO LOCAL PARA APODRECER. NAS IMEDIAÇOES, O ANTIGO CEMITERIO DOS ESCRAVOS QUE AINDA ESTA EM USO ATE HOJE ...

VEJA A DESCRIÇAO DO CONJUNTO .

Apresentação
Trabalhamos nessa região nos idos de 2007 em prospecção arqueológica nas imediações da Fazenda dentro de um projeto ligado a um gasoduto . Na ocasião acompanhamos muitos acontecimentos preocupantes e depois de passados verificamos que não somente NADA foi feito no sentido de valorizar ou proteger os locais, mas o abandono, o descaso E AGORA... a destruição intencional passou a ocorrer . E o que era um caso de negligencia e de insensibilidade pelo Patrimônio virou um CASO DE POLICIA, investigação e denuncias formais.
De tempos em tempos o IPHARJ tem verificado o estado geral dos monumentos e tem compartilhado as informações com pessoas, entidades e autarquias. A ULTIMA vez que estivemos na área foi em 21 de Junho de 2015 quando o grupo QUEM AMA CUIDA organizou um mutirão para fazer uma limpeza na área da fazenda São Bernardino. 
Mas cabe lembrar que a área não é somente a fazenda, mas na realidade é um complexo arqueológico que se estivéssemos em um PAÍS SERIO, já teria sido reconhecido e valorizado como o PARQUE ARQUEOLOGICO DA VELHA IGUASSU. Com a exploração turística do local, com a valorização de suas ruínas, com a organização de módulos museais aonde as peças do Patrimônio edificado pudessem ser mostradas de forma adequada e inusitada . O fato da regiao ser ate hoje pouco habitada não seria difícil fazer as desapropriações e de fato transformar o local em um sítio de estudos arqueologicos contínuos com a organização de um grande SÍTIO-ESCOLA, bem como a montagem de um bom museu local bem como restaurantes , pousada e outras facilidades que pudessem engrandecer o local.
Mostramos no álbum algumas fotos antigas em comparação com algumas atuais feitas na data de hoje e outras a 21 de junho de 2015
Em junho de 2015 verificamos que alguns locais sofrem risco iminente de danos, como :
4) uma invasão de terreno bem ao lado do antigo cemitério aonde estão fazendo amplas escavações com uma retro-escavadeira – O QUE DE FATO OCORREU ! E hoje a parte da Torre Sineira já faz parte de uma propriedade particular e foi cercada pelo ocupante do terreno que certamente é um Posseiro .

5) o antigo Porto de Iguassu , com as chuvas e enchentes de 2011 sofreu um severo desmoronamento de uma das laterais , não somente não foi recuperado , mas o estado a cada dia estar a piorar

Vila de Iguassu Velha 
Muitas pessoas não tem a menor idéia, mas o nome da cidade de NOVA IGUAÇU não tem nada a ver com Foz do Iguaçu. De fato, o nome Nova remete a existência da Velha Cidade, hoje chamada de Iguassu Velha e que distancia cerca de 9 km da outra . A Vila de Iguassu (a Velha) teve grande importância no passado e seus remanescentes ainda se encontram in situ a espera de atenção e pesquisas cientificas sistemáticas.

Histórico da Fazenda São Bernardino

Considerado um dos mais belos e completos exemplares de fazenda colonial no Rio de Janeiro (embora não seja tão antiga – data da segunda metade do século XIX), a Fazenda São Bernardino reunia em seu conjunto arquitetônico todos os detalhes que a fizeram ser tombada, por solicitação do prefeito Ricardo Xavier da
Silveira, como patrimônio artístico e histórico pelo SPHAN, em 26 de fevereiro de 1951. 
Localizada dentro do território da Vila de Iguaçu, a mais próspera da
Província do Rio de Janeiro, a Fazenda São Bernardino é fruto indireto das atividades econômicas de sucesso e da fortuna do Comendador Soares (considerado, por sua forte influência política na Província, o restaurador da Vila de Iguaçu, vindo a ser presidente de sua Câmara Municipal diversas vezes), através de uma de suas sociedades, uma firma comercial com Jacinto Manoel de Souza e Melo. Uma das filhas do comendador – Cipriana Maria Soares – foi casada com um
sobrinho de Jacinto Melo (Bernardino José de Souza e Melo, fundador da Fazenda São Bernardino) que passa a ser sócio do sogro em vários outros negócios de sucesso.
Tendo suas terras sido adquiridas a partir da década de 1860 (embora o
Comendador já possuísse o sítio Cachimbau a mais tempo), a Fazenda São Bernardino era servida pela extinta Estrada de Ferro Rio D’Ouro que lhe cortava as terras na altura do citado sítio – havia uma parada em frente à fazenda e que era acessada através da alameda de palmeiras imperiais, das quais, parte ainda subsiste. Acredita-se que o planejamento e a construção da fazenda tenham sido
iniciados na mesma década, tendo sua conclusão e inauguração em 1875.

A segunda metade do século XIX foi um tempo de muitas e rápidas
mudanças, em todos aspectos: político, econômico, social etc.; a inauguração das vias férreas e o deslocamento do eixo econômico, as transferências da Matriz Paroquial e da Câmara Municipal para o Arraial de Maxambomba (atendido pela ferrovia), as febres, Lei dos Sexagenários, Lei do Ventre Livre e Abolição da
Escravatura, Proclamação da República, entre outros. À Vila de Iguaçu era decretado o fim; a Fazenda São Bernardino, que estava compreendida dentro do seu território, perdia sua importância e passava a ser casa de campo e caça, já que sua produção não objetivava de todo fins comerciais, e sim, a produção de sustento
da própria fazenda e das casas dos parentes dos proprietários, na então Vila de Iguaçu.
A fazenda, pouco usada, mas ainda em bom estado, foi vendida aos sócios João Julião e Giácomo Gavazzi pelos herdeiros de Bernardino, em 1917. Gavazzi não a utilizou como residência e, sim, com fins de implantação de suas atividades econômicas – inicialmente a citricultura; assim promoveu violento corte nas florestas existentes na área, abriu uma estrada para passagem dos caminhões de lenha prejudicando, dessa forma, as bases de pedra e cal das cocheiras e abatendo algumas das palmeiras imperiais. Em janeiro de 1940 o prefeito de Nova Iguaçu, Ricardo Xavier da Silveira, oficia ao SPHAN solicitando o tombamento da Fazenda São Bernardino. Somente em 1951 a fazenda é tombada como patrimônio histórico
e artístico. 
Pouco restou da opulência de outrora. Segundo Waldick Pereira, o próprio Gavazzi saqueou e vendeu quase tudo que havia no conjunto. Em meados da década de 1980 ocorre o golpe final da história da São Bernardino: um incêndio suspeito terminou por arruinar o pouco que restara da fazenda, que já havia sido saqueada e abandonada aos rigores do tempo e do clima. 
Por Nelson Aranha

DESCRIÇÃO PATRIMONIAL

Casa Grande – Construída sobre um promontório que dominava a região, tinha as paredes externas originalmente pintadas na cor amarelo-creme. Portões, janelas, portas e guarnições pintadas de verde-escuro. As paredes internas “caiadas de branco” (conforme inscrição datada de 1887, encontrada em uma das dependências
do engenho em 1977). As telhas e tijolos foram fabricados nas olarias próximas. 
Escada dupla na entrada principal com gradil e pálio em folha de cobre. Janelas com folhas divididas com rico desenho de vidraçaria colorida. Beiral de telhas de louça azul. Internamente forrada em fino trabalho de estuque. O piso e a escada internos em madeira. À época da compra da fazenda restavam algumas peças originais e outras de período posterior, tais como: mobiliário, fogão de ferro (ainda em funcionamento), um grande espelho oval na sala principal, candelabros e peças da capela, entre outras. Engenhos (Casa de Farinha, Alambique, Engenho de açúcar), e Senzalas (dos escravos da Casa Grande e dos escravos com outras funções) – em nível inferior e junto à estrada de acesso à Tinguá. Casas do Engenho montadas em sólidos alicerces de pedra e cal, com paredes edificadas com tijolões bem cozidos onde funcionavam os maquinismos (máquina a vapor, moenda, bases das engrenagens que movimentavam as polias da Casa de Farinha) necessários para o fabrico de aguardente, farinha, polvilho, tapioca, açúcar, café e fubá, ou seja, o Moinho de Fubá, a Prensa de Mandioca, Forno, Tanques, etc. Todas essas dependências ligadas à Casa Grande, no plano superior, pela Beira e por uma escadaria. Fora do corpo da Casa do Engenho, e entre esta e o início do pomar, um grande poço para lavagem das canas sujas de lama, para uso nas hortas e no pomar, etc. A poucos metros do Engenho, no sopé de um monte, cercada e coberta por tijolos, havia uma nascente de água potável que era coletada pelos escravos para as atividades da fazenda. Isto, antes da captação das águas da represa de Tinguá, cujos encanamentos passavam paralelamente à ferrovia, em frente à fazenda. De tudo que era fabricado, apenas o polvilho e a aguardente eram produzidos com objetivos comerciais; o restante servia ao consumo interno e de parentes instalados na Vila de Iguaçu. O Engenho produzia 2000 litros de aguardente por ano, segundo informações do Coronel Alberto de Melo, válidas para o ano de 1917.

1 – Alambiques
2 – Base das engrenagens (que movimentavam as polias da Casa de farinha)
3 – Beira
4 – Bomba a Vapor
5 – Caldeira 
6 – Carpintaria
7 – Carro-de-boi
8 – Casa de Farinha
9 – Casa do feitor
10 – Cocheiras
11 – Córrego (nascia no pomar, corria ao longo do casario recolhendo as sujidades
e desaguando no riacho Cachimbau)
12 – Depósitos de água
13 – Depósito de bagaço
14 – Depósito de lenha
15 – Depósito de cana e Picadeiro
16 – Depósito de produtos químicos (nos fundos da casa de máquinas) usados no fabrico do açúcar
17 – Destilaria
18 – Entrada para descarga de lenha e de cana
19 – Espaços para o purgo e o soque do café
20 – Ferraria, Ferragens e Polias
21 – Fornalhas
22 – Forno
23 – Forno para tachas
24 – Garagem e Guarda de arreios
25 – Guarda de vasilhames e peças sobressalentes
26 – Moenda
27 – Moinho de Fubá
28 – Peças de Carruagens
29 – Plataforma de desembarque de cana
30 – Poço
31 – Pomar
32 – Prensa de Mandioca
33 – Tanques e Tonéis
34 – Tulhas
Renque de Palmeiras Imperiais – marcando a ligação entre o conjunto e a estação da estrada de ferro.

Abaixo apresentamos um histórico da região abordadas nas fotos

HISTÓRICO

Antes de os portugueses chegarem ao Rio de Janeiro (em 1503), os índios jacutingas já habitavam a margem ocidental do rio Iguaçu. Esses índios ajudaram os franceses quando eles chegaram à região.

Em torno de 1565, após a expulsão dos franceses da Baía de Guanabara, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada. Havia, àquela época, intensa pirataria promovida por corsários franceses, ingleses e holandeses no litoral da colônia.
Em 1575, o então governador da capitania do Rio de Janeiro, Antônio Salema, reuniu um exército português apoiado por uma tropa de índios catequizados, com o objetivo de exterminar o domínio franco-tamoio que já durava vinte anos no litoral norte da capitania. Temendo perder seus territórios, os índios tamoios, ainda aliados aos franceses, foram praticamente dizimados por conta da insurreição denominada "Guerra de Cabo Frio". As tropas vencedoras exterminaram aproximadamente 500 indígenas, escravizando outros 1.500. Foram condenados à forca dois franceses, um inglês e o pajé tupinambá. Não obstante, as tropas adentraram o sertão incendiando aldeias e matando outros milhares de tamoios. A Guerra de Cabo Frio resultou na completa expulsão dos franceses da região
No entanto, outros piratas europeus, principalmente ingleses e holandeses, continuaram a piratear o pau-brasil, causando mortes que se provaram inúteis, uma vez que a ausência de colonização no litoral fluminense continuou a proporcionar lucro aos corsários europeus. Não houve interesse da metrópole em colonizar a região do Cabo Frio após este massacre, entretanto os colonizadores decidiram povoar o Recôncavo Fluminense (região em torno da Baía de Guanabara). Começaram a se fixar às margens dos grandes rios da região, em especial os rios Iguaçu, Meriti, Sarapuí, Saracuruna, Jaguaré, Pilar, Marapicu, Jacutinga, Mantiqueira e Inhomirim.
Ainda em 1575, o capitão-mor Belchior Azeredo construiu uma ermida em louvor a Santo Antônio, no sopé de uma colina a 750 metros da maior curva do Rio Santo Antônio, atual Rio Sarapuí, em terras jacutingas. A construção, erguida em taipa, foi determinante para que Belchior Azeredo conquistasse as terras dos índios jacutingas em forma de sesmaria, através do governador Cristóvão de Barros, batizando-as como Engenho Santo Antônio da Aldeia dos Jacutingas. O capitão-mor ainda concedeu a si mesmo uma sesmaria próxima ao Rio Majé, onde construiu um engenho (coordenadas: 22º45'38" S ; 43º23'23" O). Nas décadas posteriores, a pequena ermida foi alçada à categoria de capela-colada, de capela-curada e, finalmente, de igreja-matriz (freguesia), neste local permanecendo por mais de 130 anos, até a década de 1700.

Logo que passou a ser explorado, o ouro das Minas Gerais era levado por terra até o porto de Parati e daí, por via marítima, até a cidade do Rio de Janeiro, de onde seguia para Portugal. Como a rota do litoral entre Parati e o Rio de Janeiro era infestada por corsários e piratas, foi necessário a abertura de caminhos terrestres mais curtos e seguros para trazer o ouro das Minas Gerais até o Rio de Janeiro.

No século XVII, Garcia Rodrigues Paes ligou Paraíba do Sul ao porto do Pilar do Iguaçu para o escoamento do ouro trazido de Minas Gerais. Essa ligação foi chamada Caminho do Pilar ou, mais comumente, Caminho Novo das Minas, pois substituiu o antigo Caminho de Paraty. Do Rio Pilar, podia-se navegar até o Rio Iguaçu, que tem sua foz no interior da Baía de Guanabara, área com fortificações e mais protegida dos ataques de piratas e corsários.
Posteriormente, foram também abertos o Caminho da Terra Firme e a Variante do Proença, visando a facilitar o escoamento do ouro, já que o trânsito no Caminho do Pilar tinha diversos problemas. Com a redução de seu uso, o Caminho Novo logo passou a ser chamado de Caminho Velho.

O Arraial de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu (à época, grafava-se "Iguassú") nasceu ao redor de um porto fluvial nas margens do Rio Iguaçu. Em 1699, a localidade já tinha uma capela curada. Na época do Marquês do Pombal, em 1750, foi elevada à categoria de freguesia. O Porto de Piedade de Iguaçu prosperou em razão da intensa movimentação dos tropeiros pelo Caminho Novo 
Até o início do século XIX, Piedade do Iguaçu tornou-se o principal povoado da região, mas era dependente administrativa e politicamente da cidade do Rio de Janeiro, embora já demonstrasse um bom desenvolvimento econômico, além do aumento da população e do crescimento do comércio.
Os povoados da região concentravam-se principalmente às margens dos rios, mas também havia alguns nos entroncamentos das estradas. Piedade do Iguaçu cresceu ainda mais com a abertura da Estrada Real do Comércio, primeira via aberta no Brasil para o escoamento do café do interior do país.
Graças à Estrada Real do Comércio e às ótimas condições para a criação de um entreposto comercial, foi necessária a criação de um município. Em 15 de janeiro de 1833, portanto, foi criada a Vila de Iguaçu a partir de decreto assinado pelo regente Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, em nome do imperador dom Pedro II. Em 29 de julho do mesmo ano, foi instalada a câmara dos vereadores, com sete representantes.
O novo município foi formado pelas freguesias de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu (definida como capital do município), Santo Antônio de Jacutinga, Nossa Senhora do Pilar, São João de Meriti e Nossa Senhora da Conceição do Marapicu. Inicialmente, a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Inhomirim também faria parte, contudo os moradores desse distrito não aceitaram a incorporação, especialmente devido à distância.
A Assembléia Legislativa da província do Rio de Janeiro extinguiu o município de Iguaçu em 13 de abril de 1835 (Lei Número Catorze), mas o restaurou em 10 de dezembro de 1836 (Lei Número 57), já sem a Freguesia de Inhomirim. Em 1846, o município ainda perdeu mais uma parte de seu território ao ser criada a Vila da Estrela, que assumiu a Freguesia do Pilar.
A área total da vila de Iguaçu era, à época de sua criação, de 1 305,47 km². Na sede, havia um quartel com uma cadeia anexa, a Câmara de Vereadores, o Fórum, casas comerciais e cerca de cem casas. Nos portos, eram embarcadas mercadorias em direção ao Rio de Janeiro. A população em 1879 era estimada em 21 703 pessoas, sendo 7 622 escravos.

Apesar do grande progresso em seus primeiros anos de independência administrativa (embora até 1919 as funções de executivo fossem de responsabilidade do intendente, representado pelo presidente da câmara), a Vila de Iguaçu entrou em decadência na segunda metade do século XIX. Alguns fatores podem ser citados, como a criação das estradas de ferro, a construção de uma ponte sobre o Rio Iguaçu e epidemias de cólera, varíola e malária.

A abolição da escravatura também ajudou no declínio da economia do município, que se sustentava na exploração dos escravos negros na agricultura da cana-de-açúcar. Havia canaviais por todo o município, além de plantações de milho, feijão, mandioca, café e arroz.