Alberto Lamego e Pôrto das Caixas. Trechos do Homem e a Serra. 1955

Pôrto das Caixas.
Lamego.A.R. 1955

Algumas  vilas e cidades menos felizes, nascidas a beira de rios e no marco zero das estradas que partem para a cordilheira, brilham meteòricamente por alguns decênios e logo desvanecem. Assim acontece com Iguaçu, Pilar, Estrêla, Inhomirim e Pôrto das Caixas, que, no recôncavo da Guanabara colhem provisòriamente os frutos do esplendor agrícola das fazendas de serra-acima que se derramam por todos os recantos da terra fluminense.

Os velhos embarcadouros do recôncavo da Guanabara começam repentinamente a extinguir-se. O maior dos fatôres da evolução dos países modernos, a mecanização dos transportes, inesperadamente revoluciona o sistema de intercâmbio, deslocando para o coracão da Serra, a margem do Paraíba quase toda a movimentação das "vilas de comércio" esparsas pelos contornos da Guanabara, onde Pôrto das Caixas em breve também iria agonizar com a construção da Estrada de Ferro de Cantagalo.

Como em quase todas as zonas rurais serranas a vila atrofiava-se ante o gigantesco desenvolvimento das fazendas, espalhadas por tão vasto território que, delas se expedia diretamente o café as margens do Paraíba, em São Fidélis, ou para Majé e Pôrto das Caixas em rios da bacia da Guanabara, por várias estradas que não tocavam no centro administrativo da comarca. Naqueles três portos, sobretudo em Pôrto das Caixas é que as grandes casas comerciais do Rio mantinham as filiais e faziam todas as transações.

Um centro comercial em plena Serra era desnecessário, e dêste modo o povoado estacionara, "enquanto o nome de Cantagalo, chegando ao auge da sua prosperidade econômica e comercial, era o farto celeiro da terra fluminense; o seu nome fastigioso projetava-se através das fronteiras nacionais, sendo conhecido na Europa como um centro formidável de atividade, de esforço humano e deprodução". 

A planta maravilhosa fizera por fim o milagre esperado havia trezentos anos. "Os cafeeiros prodigiosos, exuberantes, se estendiama perder de vista, desde as vargens as cristas das serras".

Lamego, Alberto Ribeiro. O HOMEM e a SERRA. Biblioteca Geográfica  Brasileira. Rio de Janeiro. 1950. 

 

IHGI. As obras em Pôrto das Caixas. 2016