Ostensor Brasileiro. Jornal Literário Pictoreal. (1845-1846)

O polêmico jornal Ostensor Brasileiro fez campanha pela democratização das políticas educacionais do Império e apresentou as paisagens brasileiras através de suas gravuras
Ana Brancher

 * Pictorialismo. O movimento pictorialista eclodiu na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos a partir da década de 1890, congregando os fotógrafos que ambicionavam produzir aquilo que consideravam como fotografia artística, capaz de conferir aos seus praticantes o mesmo prestígio e respeito grangeado pelos praticantes dos processos artísticos convencionais. O problema é que essa ânsia de reconhecimento levou muito dos adeptos do pictorialismo a simplesmente tentar imitar a aparência e o acabamento de pinturas, gravuras e desenhos ao invés de tentarem explorar os novos campos estéticos oferecidos pela fotografia. Por esta razão, este movimento, que perdurou basicamente até a década de 1920, foi estigmatizado durante muito tempo, mas, felizmente, assistimos hoje a uma releitura desapaixonada do pictorialismo que certamente muito contribuirá para a correta avaliação e contextualização histórica de suas contribuições.

Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3890/pictorialismo

Angra dos Reis. Os editores do Ostensor Brasileiro eram o romancista e poeta português Vicente Pereira de Carvalho Guimarães e João José Moreira. O primeiro cuidava do conteúdo do jornal e o segundo, do suporte financeiro. A palavra ostensor, do latim ostensore, significa “aquele que mostra ou ostenta”.

Itaborahy

São João de Itaborahy.

Educação, preservação ambiental, relação com os povos indígenas, direitos das mulheres e até mesmo a unidade do continente sul-americano foram alguns dos assuntos abordados pelo Ostensor Brasileiro – Jornal Literário Pictoreal. Não seria nada de extraordinário se a publicação, que debateu temas para lá de atuais, não tivesse deixado de circular há exatos 160 anos. Com poucos leitores e sem anunciantes, o Ostensor circulou no Rio de Janeiro entre 1845 e 1846, propôs soluções progressistas para os problemas enfrentados pelo Império e, com seu elaborado projeto gráfico, fez parte da vanguarda na infância do jornalismo brasileiro.
A imprensa, que havia sido proibida durante três séculos de repressão à circulação de jornais e livros, finalmente chegou ao Brasil com a vinda da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808. Legalizada, a atividade jornalística se espalhou rapidamente e, apesar de ainda estar em seus primeiros passos, estabeleceu-se solidamente como um fórum de debates e um importante veículo de informações para o país.


Apesar do pequeno boom dos jornais, aqueles que se arriscavam a investir em publicações tinham que enfrentar enormes complicações e dificuldades. Papel, máquinas para impressão, tinta – tudo era importado.Os analfabetos eram grande maioria no país, e, portanto, havia poucos leitores e compradores de jornal. Os primeiros jornais e revistas literárias produzidos no Brasil dificilmente eram bem-sucedidos financeiramente. Grande parte dos veículos era sustentada por políticos, que viam neles uma forma de divulgar suas idéias.


Segundo o historiador Hélio Vianna, mais de uma centena de jornais e folhetos surgiram nas províncias e na Corte entre 1810 e 1850. Só no Rio de Janeiro apareceram mais de quarenta títulos, alguns de curtíssima duração, outros que sobreviveram por décadas. Entre os periódicos mais importantes que atuaram na vida política e literária do país estava Jornal do Commercio, O Vigilante, Aurora Fluminense, Museu Universal, O Tribuno, Minerva Brasiliense, O Americano.


Os editores do Ostensor Brasileiro eram o romancista e poeta português Vicente Pereira de Carvalho Guimarães e João José Moreira. O primeiro cuidava do conteúdo do jornal e o segundo, do suporte financeiro. A palavra ostensor, do latim ostensore, significa “aquele que mostra ou ostenta”; já pelo título podemos perceber que o jornal surge com a intenção de “mostrar o Brasil”. Esta posição, decidida a “ostentar brasilidade”, se afirmava já na introdução do jornal (ou editorial, como é mais comum hoje): “O plano circunscrito que nos impusemos, de tratar exclusivamente de objetos relativos ou pertencentes ao Brasil, constitui a primeira parte do nosso programa, e a maior das dificuldades a vencer, segundo querem aqueles que de trabalhos mentais só esperam como único prêmio um pouco de ouro vil”.

Fonte:http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/um-brado-na-imprensa-brasileira

Texo de  Ana Brancher.

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IHGI. Ostensor Brasileiro. (1845-1846)