Fazenda Colubandê e Capela de Sant'Ana.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) (1939)

Documentação abrangendo o período de 1939 - 1981. Bem Tombado.

  • História do bairro Colubandê. 

  • O bairro está localizado no distrito sede do município de São Gonçalo e segundo o censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE, Colubandê reúne cerca de 30.781 habitantes. Até chegar ao nome atual do Colubandê, já foram empregadas outras quatro formas, são elas “Galão-bandê”, “Engenho de Galambandé”, “Golambandê” e “Alambandé”. Apesar de os nomes iniciais do bairro terem fonética africana, não há um consenso sobre a origem da palavra Colubandê. Foi levantada a hipótese da origem indígena, mas foi logo descartada em virtude de não ter sido encontrada em nenhum livro, dicionário ou enciclopédia específica. A mesma situação ocorreu no continente africano. No passado, a região pertenceu a um judeu e cogitou-se, finalmente, na possibilidade de o nome ser de origem judaica e que o nome Colubandê corresponderia às Colinas de Golã, região em que a participação do povo judeu era muito grande. O livro “São Gonçalo, sua história e seus momentos”, dos autores, Marcos Vinícios Macedo Varella e Nilda Ferreira Mendes Filha, mostra que essa seria a história mais provável sobre a origem do nome.

 
Fazenda Colubandê
 

No bairro encontra-se a mais importante exemplar da antiga arquitetura rural brasileira, a fazenda Colubandê que é considerada a construção mais antiga conservada no Estado. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 23 de março de 1940, a Fazenda Colubandê foi contruída no século 17 por Catarina Siqueira, proprietária do Engenho Nossa Senhora de Mont´Serrat, depois Engenho Colubandê e, hoje, com o nome de Fazenda. Em meados do século da sua construção, Catarian Siqueira vendeu a fazenda para judeu Benamyn Benevitis, que foi convertido ao cristianismo recebendo o nome de Ramires Duarte Leão. Leão não utilizava o cultivo de um só produto em sua fazenda, chamado de monocultura, como era de costume na época. Dessa forma, o engenho foi um dos mais produtivos do País e utilizou mão-de-obra escrava.  Apesar de ter sido convertido ao cristianismo, Leão não deixou de praticar o judaísmo, ele veio para o Brasil e trazia judeus perseguidos de outros países para uma localidade próxima ao engenho Ao longo do tempo, outras pessoas se tornaram proprietárias e, em seu piso, gasto pelo tempo, é possível ver uma sepultura onde imagina-se estar enterrado Antônio de Souza, provável vigário da capela ou arrendatário da fazenda. Esse era um procedimento comum na época e seguido até meados do século 20. De seu altar foram furtadas, na segunda metade do século 20, as imagens de Nossa Senhora de Santana e São Joaquim, talhadas em madeira e datadas do século 18. De acordo com Paulo Santos, no seu livro intitulado “Quatro Séculos de Arquitetura”, a sede da fazenda do Colubandê está inserida na categoria de arquitetura civil, incluindo casas de chácara ou de campo. O arquito se refere à construção como de “formas desativadas e acolhedoras”.
“A fazenda tem o prestígio de ser uma das casas mais autenticamente brasileiras, o que pode ser constatado comparando-a com as reproduzidas nos inventários da Academia de Belas Artes de Lisboa e na publicação Arquitetura Popular em Portugal”, destaca o escritor e arquiteto.  No início do século XVI a área onde hoje é compreendido o Município de São Gonçalo foi desmembrada pelos Jesuítas e mais tarde doada ao colonizador Gonçalo Gonçalves. Em 1617 foi edificada a Capela em homenagem a Nossa Senhora de Mont’Serrat. Em 1720, os então proprietários da Fazenda, após realizarem uma reforma, oferecem a Capela a Nossa Senhora de Sant’Ana, que perdura até os dias de hoje.
Adormecida ao passar dos longos anos que a distanciam da época e da construção, a Capela de Sant’Ana que completa a importância da Fazenda, registra ainda, o espírito catolicista do povo português.Dentro do estilo colonial, a Capela tem em seu altar dois painéis de azulejaria original portuguesa, retratando, à direita, o pedido de casamento de São Joaquim à Sant’Ana (a vós de Cristo) e à esquerda, Sant’Ana ensinando Maria a ler, a Capela é encimada por um frontão triangular, dominado por colunas ao lado, no qual encontra-se uma torre, com teto abobadado, possuindo abertura e contendo o sino, que replicava (hoje não existe mais este sino). A Capela de Nossa Senhora de Sant`Ana foi reformada pela última vez em 1805. O corpo do padre holandês está sepultado desde 1750 na capela e o local possui dois painéis raros em estilo rococó.  A Fazenda Colubandê está aberta de segunda à sexta para visitas a capela e a Casa Grande, que conta com 26 cômodos na parte de cima e 12 cômodos no subterrâneo, onde os escravos dormiam. O local ainda conta com um orquidário e um painel em frente à piscina, obra da pintora Djanira.
 
A Fazenda Colubandê, atualmente, ocupando 122.141 m2  de área verde, no estilo de construção autenticamente colonial, erguendo-se em terreno teso, a Fazenda de típica varanda portuguesa, sustentada por colunas de ordem toscana, telhas canal, portas e janelas avermelhadas, incrustadas  por gonzos originais, enfileiram-se evidências aos grandes cômodos da histórica casa que é evidentemente barroca. Tendo em suas dependências inferiores (subsolo), cômodos que se destacam por suas sombrias e tristes masmorras, no castigo proporcionado pelo senhor das terras.
Desapropriada pelo antigo Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 19 de Novembro de 1969, por Decreto nº 14.406, do Exmº Sr. Governador Geremias de Mattos Fontes e destinado à ocupação do Corpo de Policiamento Militar, à época. No Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro nº 26 de 09 de Fevereiro de 1988, é publicado o expediente de 04 de Fevereiro de 1988, do Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro, cedendo as instalações da Fazenda Colubandê  a PMERJ, a qual passa a ser sede do Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente, fato esse publicado no Bol PM Nº 28, de 11 Fev 88.

No mês de Julho de 2012, com a criação da UPAM(Unidade de Polícia Ambiental), o Comando de policiamento florestal foi transferido para o bairro de Bonsucesso,mais exatamente para o local onde funcionou a antiga fábrica da Coca-Cola, e que abrigou as forças de segurança do Estado por ocasião da implementação do processo de pacificação do Conjunto de Favelas do Alemão,a partir deste momento a Fazenda passou a ficar desocupada e em um empasse entre os Governos Federais, Estaduais e Municipais que duram até hoje sobre o que fazer com este Patrimônio Histórico.

Fazenda Columbandê . Dezembro de 2015