Cascata Conde D' Eu

Cascata Conde d'Eu é a maior cascata em queda-livre do estado do Rio de Janeiro, com mais de 127 metros de altura. Fica no municipio de Sumidouro.

É acidente geográfico do Rio Paquequer, que nasce no município de Sumidouro, e deságua na margem esquerda do Rio Paraíba do Sul. Localiza-se próximo ao distrito de Dona Mariana, no citado município.

O nome foi uma homenagem ao Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel, provavelmente como forma das autoridades locais lisonjearem a Corte Imperial no Segundo Reinado.

As brumas de suas águas guardam curiosa relação com o Romantismo no Brasil.

Cachoeira Conde Deu.JPG

Um espetáculo da natureza!

Ao longo dos séculos, a precipitação d'água em grande elevação e volume escavou uma ampla garganta na rocha, formando, em sua base, um poço com cerca de 30 metros de diâmetro. O impacto das águas sobre o referido poço molda uma nuvem de água ascendente, semelhante a um véu, que alcança expressiva altura e umedece a vegetação do vale. A uma centena de metros abaixo, grandes rochas arredondadas pela erosão formam pequenas cachoeiras, cercadas de vegetação típica e poços rasos em leito de areia onde as águas correm serenas. A freqüente formação de arco-íris completa a impressionante beleza local. A paisagem circundante é constituída por formações geológicas íngremes, onde se encontra, ainda preservada, uma pequena amostra de vegetação primária da Mata Atlântica.

Cascata Conde d’Eu, cenário de “O Guarani”!

O município de Sumidouro possui uma tradição muito popular, tão antiga quanto O Guarani, a obra-prima do ilustre escritor do Romantismo brasileiro, José de Alencar. Conta a tradição local que cenários naturais do município teriam inspirado o patriarca da literatura brasileira em relevante segmento deste clássico romance, provavelmente descritos por relatos de viajantes extasiados com a beleza do lugar.

Reforçando a tese, a narrativa romântica possui coincidências com a descrição da Cascata Conde d’Eu, como a que descreve o Rio Paquequer que vai desaguar no Paraíba, e sua íngreme e abrupta queda d’água:

É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito.” “[...] Ele (Paquequer) deve ser visto [...] três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indômito desta pátria da liberdade. Aí, o Paquequer lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando, deixando o pêlo esparso pelas pontas do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recua um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa. Depois, fatigado do esforço supremo, se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como em um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes.” Fonte: ALENCAR, José de. O guarani. 20ª ed., São Paulo: Ática, 1996 (Clássico da literatura brasileira).

Eventos que corroboram a tese

Ratificando a amplitude desta tradicional versão, encontra-se esmerado trabalho artístico adornando as dependências da Câmara Municipal de Sumidouro. Na mesma direção, o município serviu de palco para filme sobre a referida obra literária e, posteriormente, para O Guarani (minissérie).

 

 

Fonte: Arquivos do Centro de Documentação Histórica Pró-Memória da Prefeitura de Sumidouro/RJ

Marcelo do Pró-Memória.

IHGI e Promemoria Sumidouro. Cascata Conde D' Eu.