A ruína - Le Goff

Ruínas da Capela da fazenda do Sumidouro. Itaborahy

" A(s) ruína(s) pode(m) por um lado evocar o passado glorioso e a  caducidade    de todas as coisas, objeto de reflexão histórico-filosófica; por outro lado pode dar lugar a  um sentimento sutilmente crepuscular; pode ser uma ruína clamorosa, eloqüente, com uma massa obstrutiva ou, pelo contrário, um efêmero bastidor visual, um frio contraste, uma ironia irrisória. Essa vitalidade da ruína exclusivamente interpretativa, subjetiva e antropológica, torna essencialmente cultural o discurso que sobre ela se faz. Tanto mais que facto, raramente este assume um valor absoluto, sendo de preferência associado com uma outra estrutura que por si só é insignificante: a paisagem. O que dizem Blanc-Pamard e Raison (1980, pp. 320-220), para quem a paisagem é a a <natureza vista através de uma cultura>, vale ainda mais para os amontoados de pedras, para o abandono das carcaças de edfícios e das matas, em relação às quais conta menos do que aquilo que sugerem. E se, ainda a paisagem <não é apenas expressão das relações entre a sociedade e o ambiente natural, mas também entre o presente e a herança do passado> (ibid., p. 337), esta realidade é emblematizada na paisagem pela presença frequentemente subsidiária, e por vezes predominante, da ruína ".

Fonte: 

LE GOFF, Jaques. ENCICLOPÉDIA EINAUDI: [Monumento- Documento]. Porto: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1994. v. 1.

Ruínas da Capela do Sumidouro -Itaboraí