Bárbara dos prazeres no seu quarto no Arco do Teles

As Aventuras de D. Pedro com Bárbara dos Prazeres.

Bárbara dos prazeres

As Aventuras de D. Pedro com Bárbara dos Prazeres.
Folhetim " O Esqueleto."

Folhetim "O Esqueleto".
Episódio 1.
Com Calvoso à frente, Pedro subiu os quarenta degraus de escada do sobrado, rumo à toca de Bárbara dos Prazeres. A madeira, muito gasta nos lugares onde os pés se encaixavam, traía a idade do prédio, tão velho quanto as fundações apodrecidas dos trapiches ali perto. Calvoso pediu-lhe que esperasse no meio da escada enquanto ele fosse avisar Bárbara que ele tinha visita. Pedro concordou, mas, ao ser deixado sozinho, teve um vislumbre de suspeita. Pensou em ir embora, em voltar para a rua, mas o outro homem - um rapaz chamado Fontainha, que trabalhava com Calvoso - surgira na porta lá embaixo e também fazia menção de subir, como que bloqueando a passagem. O minuto seguinte levou uma hora para passar, até que Calvoso reapareceu no alto da escada e chamou Pedro. Mandou-o entrar e disse que Bárbara o esperava no quarto ao fim do corredor.
O cheiro de bolor era asfixiante, o corredor, muito escuro, e eram tantas as portas que Pedro, mesmo tateando, quase abriu uma porta errada. Não faria diferença, porque os quartos estavam vazios, exceto o último, de onde, em meio à treva, uma voz jovem e melodiosa e, mesmo assim, senhorial o chamou:
" Vem, rapaz. Como te chamas ?"
Pedro já ia balbuciar, " Pedro de Alcântara", mas algo o alertou e o fez limitar-se ao primeiro nome. Em resposta a porta gemeu nos gonzos com um ruído quase imoral quando ele acabou de abri-la. Apesar da escuridão, podia ver que o quarto era quase sem móveis, exceto por uma cama no fundo do aposento, onde, por um fio de luz que entrava pela gelosia, delineava-se o vulto de uma mulher recostada.
" Vem, Pedro. Chega-te a mim", ela disse.
(Continua no próximo folhetim O Esqueleto ).
( RUI CASTRO. 2008 )

 

Folhetim " O Esqueleto". As Aventuras de D. Pedro com Bárbara dos Prazeres no Largo do Telles.
Episódio 2.
Prelúdio: A cena se passa em 1810 e D. Pedro tinha apenas 15 anos.
- Na voz de Bárbara dos Prazeres havia uma certa tristeza, uma música de antigas cantigas trocadas por cellos e violas. Ao ouvi-la, Pedro percebeu que suas partes baixas estavam inchando e pressionando suas calças e calçolas dentro delas. Pela primeira vez, estaria a sós com uma mulher de verdade - e se deitaria com ela.
Mesmo assim, aproximou-se da cama aos poucos, como se temesse pisar numa tábua solta ou chutar um pot de chambre. Quando Pedro, enfim, chegou mais perto, a mulher esticou o braço e o puxou para ela, com força quase sobre-humana. E, só então, ao cair sobre o corpo de Bárbara dos Prazeres, ao sentir o cheiro e a tessitura de sua pele e ao ver de perto o espetáculo de seu rosto, é que Pedro descobriu que caíra numa cilada.
(Continua no próximo folhetim de O Esqueleto.)
( RUI CASTRO 2008 )
3º Episódio.
Quando viu o rosto da mulher sobre quem fora deitado à força, Pedro deu um grito. Não era um rosto, mas uma caricatura, uma máscara de talco branco, como as teatro, com os lábios em vermelho vivo ressaltados na cena escura. Os braços eram finos, mas surpreendente fortes, e, com as duas mãos em garra, como tenazes, entrelaçadas na nuca de Pedro, ela o puxou com violência para si, para beijá-lo na boca. Pedro se debateu com nojo, tentando desprender-se e manter o rosto à distância, mas não a tempo de evitar que Bárbara, entre resfolegos e incongruências de prazer, o beijasse e o bajulasse de pintura na boca, nas bochechas e até no nariz.
Pedro custou, mas valeu-se da sua juventude e desvencilhou-se. Pulou fora da cama e ficou de pé, trêmulo, também sem fôlego, tentando recobrar-se. O que enrijecera dentro das calçolas murchara instantaneamente. No meio da agitação, julgara identificar na mulher uma aura de putrefação que às vezes sentia em cachorros doentes e cavalos velhos, que parecia que já tinham morrido antes do suspiro final.
( RUY CASTRO. 2008 )
( Continua no próximo episódio do folhetim o Esqueleto )

 Fim dos folhetins por falta de leitores. Publicado por Biblioteca Digital de Itaboraí em 2016.

Bárbara dos Prazeres

Arco do Teles