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A TOMADA DO RIO DE JANEIRO EM 1711 POR DUGUAY-TROUIN SEGUNDO A NARRATIVA DE CHANCEL DE LAGRANGE.

Convento de Sto Antonio. 200 libras de ouro em pó e amoedado, grande quantidade de pedras preciosas e cofres recheados de prataria e cruzados, tudo avaliado em 350.000 libras ...

 

REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO

A tomada do Rio de Janeiro.

 [...] A 1, foram, também, enviadas mais três companhias de granadeiros para extinguir os incêndios que lavraram em vários locais da cidade, e, em seguida, libertar nossos compatriotas prêsos. Fomos, então, até a cadeia onde os mesmos se encontravam. Já haviam, porém, êles mesmos, arrombado as portas dos cubículos, evadindose. Soltamos cêrca de 350 homens, entre oficiais, guardas-marinha e soldados, naturais todos do Departamento de Rochefort, famintos ao extremo, pois que, havia dois dias, nada tinham comido; irreconhecíveis, quer pela extrema miséria a que se achavam reduzidos, quer pelo cruel e desumano tratamento que lhes infligiram os portuguêses, sem contar o temor de se verem trucidados, a todo instante, pela ralé. Causou-nos profundo pezar ver essas criaturas em tão miserando estado. Do total dos prisioneiros, 200 já haviam perecido; e, por mais de uma feita, aos restantes, fôra debatido se conviria o massacre; não fôra a corajosa e decidida atitude do Bispo e do Jesuíta Padre Antônio Cordeiro. (73) Foi de enternecer a alegria daqueles infelizes, ao estreitarem nos braços seus patrícios. Como se achavam inteiramente nus, logo se dirigiram a várias casas de comércio, nas quais encontraram com que decentemente se compor. [...]

[...] A 8, o general, o intendente, o major e os oficiais de maior patente, em virtude de certas notícias veiculadas por judeus, recém egressos dos cárceres da Inquisição, foram até o Convento dos Padres Recoletos de S. Antônio, (94) sito extra-muros, a fim de lá proceder a uma busca em regra. Nesse magnífico edifício, construído no alto de uma colina, podiam comodamente alojar-se mil pessoas. Nêle se destacavam, em diversos pontos, umas doze capelas maravilhosamente douradas e decoradas com afrescos, testemunhas da opulência dêsses religiosos, que tinham escondido, em catacumbas e lugares escusos, os bens e cabedais pertencentes às principais personalidades da terra. Obrigamo-los, entretanto, em parte com rogos e parte com ameaças, a revelar tais esconderijos. (95) No primeiro, encontramos 200 libras de ouro em pó e amoedado, grande quantidade de pedras preciosas e cofres recheados de prataria e cruzados, tudo avaliado em 350.000 libras. Confesso francamente que, afora os paramentos religiosos, telas, porcelanas, tapeçarias e móveis tomados pelos nossos durante o saque, nunca vi coisa igual em riqueza, tão perfeita e maravilhosa.[...]

[...] A 21, os portuguêses, aos quais havíamos confiado a guarda dos reféns, trouxeram-nos 160.000 libras de ouro em pó, revelando, também, que o Capitão-General Antônio de Albuquerque chegara das Minas, à frente de 1.500 cavaleiros e 3.000 infantes, (105) devastando, à sua passagem, a campanha e as casas que nela havia. A 23, como devessem os portuguêses entregar-nos 400.000 libras de ouro em pó, pediram-nos a devolução dos reféns e me convidaram para servir de intérprete; avisando, também, que havendo os escravos encontrado ouro no caminho, traziam-no à cabeça, escoltados por uma companhia do Maquinês; com a qual, à volta, tornei ao campo luso. Lá, fui muito bem recebido e tratado, não só pelo governador mas, também, pelos demais oficiais.[...]

SEPARATA DA REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO VOLUME 27 0 1966.

Fonte: Acesso em 8 de Dezembro de 2020. Link para dowload da obra rara completa via Biblioteca Nacional:

 http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_obrasraras/or383579/or383579.pdf