Itaborahy. Festa do Divino.

Festa do Divino. Itaborahy. 1786.
Jean Baptiste Debret. Fotomontagem IHGI

Corria o anno de 1786.

Em Itaborahy era a festa do Espirito Santo uma das mais concorridas. Vão da cidade os músicos,os cantores e  os padres.

Annunciava a festividade o bando composto de cavalleiros mascarados e vestidos á fantasia que em versos burlescos referião os divertimentos que iaô seguir-se ; percorrião as ruas a musica dos timbaleiros, os foliões; armava-se o imperio do Divino, collocado no centro da povoacão ; celebravão-se os actos religiosos, a procissão, o te-deum, a posse do novo imperador, os leilões das offertas remettidas ao festeiro, as dansas e as cavalhadas. Vião-se neste ultimo divertimento os cavalleiros mouros e os cavalleiros christãos, os prilfleiros de turbante e os segundos de capacete, trajando todos ricos uniformes de seda e velludo.

Envia, a o rei mouro aos christãos um cavalleiro em desafio, e aceita a luta, principia vão as evolucões; encoutravão-se mouros e christãos, cruzavão as lancas, as espadas em attitude de peleja, disparavão tiros de pistola, e reconhecendo-se os mouros vencidos, pedião paz, entrando o divertimento em outra pháse.

Cada cavalleiro quer mouro, quer christão, esforcava-se por quebrar com a lança um vaso de barro suspenso de um poste; ia em tocar com a ponta da espada em uma cabeça de papelão pousada no terra pleno da arena; ja em. despedaçar com um tiro de pistola essa mesma cabeca pregada em uma haste de madeira; já em cortar com a espada uma

rama de canoa atirada ao ar por outro cavalleiro ; vindo depois o jogo da argolinha. Suspensa de uma corda atada a dous mastros via-se uma argolinha de canotilho de seda, que cada cavalleiro esforçava-se por tirar com a lança, e aquelle que sahia victorioso, apressava-se em offerecer o delicado mimo a dama de sua afeição,  Para despertar o riso havia- o bobo da cavalhada,  que procurava redicularisar as sortes praticadas pelos cavalleiros e apresentava-se mal trajado, occuIto o rosto em uma mascara de velho, e montado em um cavalo  pequeno e feio. A musica tocava durante o divertimento, que chamava a concurrencia publica, sendo geraes os applausos, e estridentes as risadas pelos gatimanhos do palhaço.

Todo os annos ia José Leandro assistir á festa do Espirito Santo em Itaborahy, [...]

Fonte :   http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/174435

 

Festa do Espírito Santo. Travessa do Espírito Santo. Itaborahy. Jean Baptiste Debret. Arte IHGI. gravura original do post de : https://www.facebook.com/HistoriadeItaboraieRegiao/posts/857091031151001

A celebração do Espírito Santo é uma manifestação cultural e religiosa, de origem portuguesa, disseminada no período da colonização e ainda hoje presente em todas as regiões do Brasil, especialmente promovida pela comunidade açoriana no país. A estrutura básica compõe-se de folia; coroação de um imperador; e Império do Divino, símbolos princiipais.

As atividades se iniciam a partir do Domingo de Páscoa. Na sequência, manifestações e rituais ocorrem ao longo da semana que antecede o Domingo de Pentecostes, principal dia da festa.
Fonte: Mundo Lusíada.

Outra perspectiva da Travessa do Espírito Santo. Festa do Divino. Itaborahy. Arte da mixagem- IHGI

Manuel Duarte Moreira de Azevedo

Pesquisa Google. Colorização IHGI

(Itaboraí, 1832 — Rio de Janeiro, 1903) foi um médico, professor, escritor e historiador brasileiro.

Bacharel em Letras, foi biógrafo de personalidades do Segundo Reinado, como o Barão do Rio Doce e o Conselheiro Manuel Francisco Correia; contribuiu com diversos periódicos, como A MarmotaO EspelhoO Conservador e o Jornal das Famílias; foi historiador da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, da imprensa do Rio de Janeiro, da instruçãoi pública no período colonial e das revoluções de Pernambuco, entre outros tópicos, e deixou um Compêndio de História Antiga e uma História Pátria. Na ficção dedicou-se à novela e ao romance, escrevendoA Arca da FamíliaHonra e CiúmeLourenço de MendonçaNo Tempo do ReiMagdalena e outras obras. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do qual foi primeiro secretário, do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, do Instituto Histórico de Goiana, do Instituto Acadêmico e da Sociedade Propagadora das Belas Artes do Rio de Janeiro.[1] Deu aulas de História Antiga e Moderna no prestigiado Colégio Pedro II, onde seuCompêndio de História Antiga foi adotado como livro padrão entre 1877 e 1878.[2]

Dentre os historiadores de sua geração foi um dos que mais estudaram o período regencial e um dos que mais produziram memórias históricas, sendo considerado um autor de referência. Foi um dos mais ativos membros do IHGB em um período em que o Instituto desempenhava um importante papel na obra de reorganização cultural e modernização do Brasil sob a direção de Dom Pedro II, manifestando um claro compromisso com os propósitos imperiais, o que torna suas interpretações da História em certos aspectos datadas e tendenciosas, embora permaneçam como importantes testemunhos das visões prevalentes em sua época e local, especialmente do grupo de intelectuais engajados politicamente ao qual se ligara.[3][4][5]

Origem e Desenvolvimento da Imprensa no Rio de Janeiro (1863) é um estudo pioneiro em seu campo;[6] Sociedades Fundadas no Brasil desde os Tempos Coloniais até o Começo do Atual Reinado (1885), também pioneiro, segundo Milena da Silveira Pereira, "apesar de datar de mais de um século, é o estudo mais completo até hoje publicado sobre associações fundadas no Brasil",[5] e O Rio de Janeiro: sua história, monumentos, homens notáveis, usos e curiosidades (1861-1877) é tido como um dos clássicos da historiografia nacional.[7]

Referências

  1.  Moreira de Azevedo. Literatura Digital
  2.  Moreira, Kênia Hilda. "Livros Didáticos de História no Brasil no Século XIX: questões sobre autores e editores". In: Educação e Fronteiras, 2010; 3 (6):31-44
  3.  Sousa, Francisco Gouvea de. Entre Fronteiras e Nações: um estudo sobre a revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro desde 1870 a 1890. Dissertação de Mestrado. PUCRJ, 2008, pp. 25-46
  4.  Oliveira, Maria da Glória de. "Fazer História, Escrever a História: sobre as figurações do historiador no Brasil oitocentista". In: Revista Brasileira de História, 2010; 30 (59)
  5. ↑ Ir para:a b Pereira, Milena da Silveira. A Crítica que Fez História: as associações literárias no Oitocentos Arquivado em 27 de abril de 2017, no Wayback Machine.. Editora UNESP, 2014, pp. 22-33
  6.  Peruchi, Amanda. "No Rastro das Folhas Periódicas: os impressos na historiografia brasileira". In: Molina, Matías M. História dos Jornais no Brasil: da era colonial à Regência (1500-1840). Companhia das Letras, 2015, v. 1, pp. 292-297
  7.  Stickel, Erico João Siriuba. Uma Pequena Biblioteca Particular: subsídios para o estudo da iconografia no Brasil. EdUSP, 2004, p. 54  https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Duarte_Moreira_de_Azevedo

 

Livro inteiro para fazer download :

Apresenta crônicas biográficas sobre o escritor e poeta Manoel Ignacio da Silva Alvarenga, do artista plástico José Leandro ...
Azevedo, Manuel Duarte Moreira de, 1832-1903
Rio de Janeiro : Garnier1875 )

Acervo Livros raros por autor "Azevedo, Manuel Duarte Moreira de, 1832-1903"